FALANDO DE SENTIMENTOS – EXISTÊNCIA

EXISTÊNCIA

Por Beatriz Breves

Na última fagulha de minha existência, a vida se condensa no instante do aqui e agora.

A minha visão fica turva, a minha audição surda e o meu tato frio. Já não sinto mais cheiro ou sabor, começa a me faltar ar.

Sinto medo. Medo de acabar e de prosseguir, da finitude e da eternidade, do outro e de mim mesma, do conhecido e do desconhecido. Por outro lado, sinto paz. Tudo o que antes era tão valorado, agora, não faz mais sentido.

A minha frente sinto sentimentos vividos com pessoas e comigo mesma. A saudade de mim se apossa de mim. Choro as idas e vindas, os retrocessos e avanços. Sorrio a minha existência.

Sinto a continuidade da minha história avançando, apesar de nunca ter podido estar atrás ou a frente de qualquer um dos instantes presentes. Vislumbro uma tela cuja pintura é a sobreposição dos sentimentos experimentados por mim em minhas experiencias que, se aquarelando uns por cima dos outros, pintam o meu “Eu” – o autorretrato de minha existência.

“Eu”, ainda, em corpo quente e cheio de vida. “Eu”, em segundos, um corpo frio, inerte e cadavérico. E o grande mistério poderá ou não ser revelado.

É nítida a experiencia sensível de que a minha existência só existe porque “Eu” a sinto.

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