Posts
FALANDO DE SENTIMENTOS – O SENTIMENTO DE VITIMISMO
O SENTIMENTO DE VITIMISMO
Beatriz Breves
O vitimismo funciona como um abrigo, cujas portas e janelas não se abrem para fora, onde a pessoa se esconde de si mesma.
Nesse abrigo, os mantos são vestes pesadas e densas, cujas estampas possuem as cores da injustiça, como se cada colorido fosse sobreposto, para ocultar as falhas que não se ousa encarar.
Senso de responsabilidade de quem se sente vítima? Esse escorre por entre os dedos. Sem falar que também os seus erros permanecem em gavetas trancadas a sete chaves.
Na parede, há um quadro em aquarela, cuja pintura insiste em mostrar uma dor e um sofrimento sempre mais profundos do que os dos outros.
Em seu idioma particular, sustenta a narrativa de sempre diminuir o outro. Não por maldade declarada, mas por uma necessidade silenciosa de parecer maior do que acredita poder ser.
Hábil em construir histórias tão bem contadas, tão bem sentidas, por vezes enganam até a própria autora. Que, com uma convicção quase teatral, atrai afagos na tentativa de alimentar um vazio que nunca se sacia.
Um sentimento que nasce da insegurança, mas que cresce regado por pequenas doses de arrogância. Por vezes, no calor do sofrimento, refresca-se à sombra da inveja; e, por outras, no frio da solidão, se aquece no fogo da raiva.
De fato, o vitimismo impõe um grande sofrimento. Uma dor que só pode ser transformada quando, cansada de repetir o mesmo enredo, a pessoa encontra coragem para se olhar sem autopiedade.
E seria nesse instante — frágil, raro e luminoso — que o vitimismo começa a perder força, oferecendo, enfim, uma possibilidade de mudança, para que a pessoa encontre espaço para se assumir e, assim, ser com a qualidade e defeitos de um ser humano.