JOAQUIM

Ele era português, como veio para Brasil ninguém sabe. Ele casou e teve muitos filhos. Era operário de uma fabrica de tecidos.
Moravam numa casa de madeira que ficava num terreno enorme com duas entradas. Eram pobres mas eram felizes apesar do vício da bebida.

Um dia chegaram uns homens vestidos de terno e gravata com aparência de impor respeito, e foram logo dizendo: “Esta propriedade não lhes pertence”, abriram uma pasta e foram tirando uns papeis cheios de carimbo e diziam “Aqui está a prova” e perguntaram “você tem a escritura da casa, do terreno?”

Ele não tinha como provar nada mas perguntou “para onde vamos com tantos filhos”

Para encurtar a história: deram para eles algum dinheiro e foram embora.

Compraram uma pequena casa num subúrbio distante e lá viviam muito felizes.As crianças crescendo e outras nascendo .

Ele não perdia o bom humor, era uma alegria contagiante. As crianças o adoravam.

No carnaval se vestia de mulher, com tudo que tinha direito e saí pelas ruas cantando e em cada botequim parava e bebia umas e outras e para as crianças sucos e guaraná que faziam a festa ficar mais alegre.

Até que um dia – sempre tem um dia que muda tudo -. Bêbado, quase chegando em casa, chovia muito e um raio arrebentou um fio justo em cima dele. Ele ficou se debatendo antes de morrer.

A mulher, desesperada, não pode fazer nada. Os vizinhos trataram do enterro…
Se já eram pobres ficaram mais pobres.

Já faz tanto tempo… que a mulher morreu e os filhos também.

Joaquim, meu tipo inesquecível.

A sua benção meu tio Joaquim…Que está lá no céu de papelão, entre nuvens de algodão e estrelas de papel prateado…

Esta entrada foi publicada em Era Uma Vez... on-line por Iris Seródio. Adicione o link permanente aos seus favoritos.