A SAÚDE E A DOENÇA COMO ESTADOS DE EQUILÍBRIO DINÂMICO

Contrariando a concepção de que a saúde representa um estado de equilíbrio e a doença um estado de desiquilíbrio, a ciência do sentir propõe que todo ser humano, sendo ele considerado doente ou saudável, se estrutura em um estado de equilíbrio dinâmico.

Se a pessoa está saudável é preciso que aconteça algo que a desestabilize a ponto de fazê-la ultrapassar o seu limiar de equilíbrio dinâmico. Em ultrapassando, a pessoa experimenta um estado de desequilíbrio – um momento de abalo, de crise e/ou de emergência – que abre a possibilidade da inclusão da doença. Mas, uma vez incluída a doença, a pessoa se estabiliza, readquirindo desta forma um novo estado de equilíbrio dinâmico.

O contrário também é verdadeiro, ou seja, para recuperar um estado de saúde, faz-se necessário o rompimento do estado de equilíbrio dinâmico, para que durante o processo, no instante de desequilíbrio, ocorra a exclusão da doença. E, assim, uma vez excluída a doença, a pessoa se estabiliza, readquirindo desta forma um novo estado de equilíbrio dinâmico.

“É importante que se diga que não é necessário que algo aparentemente grandioso aconteça para se romper o limiar de equilíbrio. Um remédio que toma faz-se grandioso suficiente para interferir no organismo com um todo, modificando o estado de equilíbrio. Mas não só o remédio; uma palavra ou um gesto pode-se fazer grandioso suficiente para desencadear o processo de ruptura do limiar de equilíbrio; e, por que não, até o próprio vínculo que se estabelece entre o profissional e o paciente pode ser suficiente para a ruptura do limiar de equilíbrio” (1).

E é assim, entre um estado de equilíbrio dinâmico e outro que vamos adoecendo e, também, recuperando a nossa saúde.

Referências

(1) Breves, Beatriz, com a colaboração de Winter, Ana Helena. A Fronteira do Adoecer – O Sentir e a Psicossomática. p.64. RJ:Ed.Mauad. 2005.

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