A MÃE

Vera era uma mulher muito rica e muito bem casada. O marido fazia todas as suas vontades, nada lhe faltava.
Porém, o que ela mais desejava não tinha: um filho ou uma filha.
Ela foi aos melhores médicos, fez os melhores exames, mas nada conseguia.
O marido sugeriu contratar uma mulher para ser barriga solidária e ela rejeitou.
-  De jeito nenhum! Quero ter um filho meu! – dizia ao marido.
Eles viajaram e foram as melhores clínicas. Ela não conseguia engravidar.
O tempo foi passando, passando e o marido morreu. Ela não saia mais de casa. Foi ficando triste, triste….
Até que um dia (há sempre um dia na vida da gente que as coisas mudam) bateram na porta e ela foi ver quem era. Uma mulher em farrapos com uma criança no colo, também em farrapos. A mulher estava esquelética e a criança também.
Vera mandou que a mulher entrasse, pegou a criança no colo, deu um bom banho na menina, mandou que a mulher também tomasse banho e deu um prato de comida para ela.
Vera sentiu um afeto muito grande pela menina e num impulso colocou o seio na boca da criança e ela começou a mamar. Sem saber por que começou a sair leite do seu seio e a criança sugava, sugava até saciar a sua fome.
A mãe da criança morreu depois de alguns dias. Ela registrou a menina como sua filha e deu o nome de Felicidade e só a chamava de Minha Felicidade. A criança foi ficando forte, crescida…
Vera com medo que alguém descobrisse que não era sua filha viajava muito. Não fazia pouso definitivo em lugar nenhum.
Felicidade já era uma linda moça, inteligente, meiga, carinhosa… e o tempo foi passando até que um dia conheceu um belo rapaz. Namoraram…
Ela ficou muito feliz com o namoro da filha.
Um dia, estavam os três conversando e conversa vai e conversa vem, o rapaz contou que não sabia nada sobre a sua família…
A única coisa que se lembrava era que um dia a sua mãe saiu com a sua irmã, que era um bebê, e nunca mais voltou. Ele foi criado por uma vizinha que fez tudo por ele. Era só o que sabia.
Vera ficou apavorada. “Será que eles eram irmãos?” – pensou ela e imediatamente foi viajar com a filha e nunca mais souberam do rapaz.
Mas o que está escrito nas estrelas não se pode mudar…
Depois que a mãe morreu a filha resolveu voltar para casa.
Tempos depois, encontrou o rapaz, reataram o namoro, casaram e são muito felizes.

Esta entrada foi publicada em Era Uma Vez... on-line por Iris Seródio. Adicione o link permanente aos seus favoritos.